Uma carta para a minha culpa.

 Querida culpa, 


sabia que você está presente quase 24 horas do meu dia? Quando menos espero, quando nem lembro que você existe, eis que surge uma fagulha sua. Por conta da briga com meu irmão, da falta de tempo pra visitar meus pais, da pouca atenção que dei pros meus bichos, da preguiça de começar a academia, da vontade de passar a noite deitada vendo série, sem fazer nada produtivo, da falta de coragem de sair em plena semana pra encontrar algum amigo.  São tantas as situações que você aparece que acho que a gente é tipo gêmea univitelina. 


Às vezes fico tentando descobrir de onde você surgiu na minha vida, até comentei com minha psicóloga. Tive uma infância feliz, não sofri nenhum grande trauma, não tive nenhuma grande e dramática perda na vida quando era criança. De onde será que você nasceu? Talvez eu nunca saiba. O fato é que preciso aprender a conviver com você. Porque senão, vai chegar o dia que a Clara vai sumir e vai sobrar só a culpa. E aí, minha vida vai se basear no que eu preciso fazer pra você não aparecer, pra você sumir, pra você me dar um descanso. E que vida vai ser essa?


Eu preciso entender, querida culpa, que na maioria das vezes você surge sem motivo e sem razão. Que o que você grita no meu ouvido não é real. Na vida adulta, a gente precisa tomar decisões que podem não ser as melhores pra quem nos cerca, mas que são as melhores pra nós e pra nossa saúde mental. E você não tem o direito de aparecer pra jogar na minha cara que eu tô errada, pra me fazer duvidar das minhas escolhas. Então, querida culpa, na próxima vez que você aparecer (talvez até hoje mesmo) eu vou lembrar que você é apenas uma parte de mim que ainda não aprendeu a se priorizar. Que às vezes você pode até ter alguma razão, mas que de modo geral, você só não tem o que fazer mesmo. 


Beijos e espero que demore bastante pra gente se encontrar de novo!





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